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Quem dá a dica pe Péricles Gomes, da Casa do Porto. Ele mostra detalhes de Jean-Luc Thunevin, tido como o pioneiro garagista.
Seu primeiro vinho, o Chateau Valandraud, recebeu logo na primeira safra a aclamação da crítica especializada e de Parker uma nota mais alta do que a do Petrus. A revista francesa Le Revue du Vin de France listou Jean-Luc Thunevin como o 33º entre as 100 personalidades do mundo do vinho, por ter ele criado em 1991 o primeiro vinho de garage e ter chacoalhado o stablishment de Bordeaux. Para fazer tudo isso, Jean-Luc Thunevin ex-lenhador, ex-dj e ex-bancário, contava com uma loja de vinhos, muita garra, o apoio da mulher e a crença de que o trabalho árduo leva longe.
Jean-Luc Thunevin esteve recentemente na Casa do Porto para apresentar seus vinhos. É um homem à vontade no mundo. Não faz pose, é acessível e irreverente, um iconoclasta cheio de humor e perspicácia (vejam o vídeo e saberão do que estou falando, mesmo que o seu francês seja tão ruim quanto o meu, vale a pena). Seu vinho Bad Boy recebeu seu nome graças aos comentários de Robert Parker ao elogiar o Chateau Valandraud 2005 como: “a terrific effort from bad boy and leading garagiste, Jean-Luc Thunevin, and his sidekick, Murielle Andraud…”. Assim inspirado, Thunevin batizou seu vinho mais acessível de Bad Boy. As pessoas começam por comprar o Bad Boy para presentear e brincar com algum amigo. Depois voltam, porque o vinho é bom.

Thunevin é o pioneiro do movimento Garagista, de pequenos produtores sem berço aristocrático ou tradição nos vinhedos, mas com disposição e um sonho: fazer grandes vinhos. Não era enólogo e tampouco tinha capital. Precisou levantar “um papagaio” no banco para começar seu novo negócio. Para obter boa safra, reduziu a produção à metade; a mão-de-obra de seu Chateau Valandraud eram as mãos de Murielle Andraud, sua esposa, e as suas próprias. Colheram as uvas e fizeram seu vinho na garage, desafiando com as mangas arregaçadas, humildade e idéias afiadas a aristocracia de berço. Inaugurou num novo estilo: vinhos magníficos, suaves e amadeirados.
Não faz vinhos para si, mas para as pessoas, declarou no vídeo. Sua receita? Dar tanta atenção ao vinhedo menos conhecido como a um botão de rosa, reduzir a produção drasticamente, colher apenas os frutos bem maduros e garantir um envelhecimento em berço esplêndido, i.e., nas caríssimas barricas de carvalho novo francês.
Seus vinhos são caros, muito caros por conta dessa lei implacável que é a da oferta e da demanda. E também porque sua produção é custosa. Por isso, seus vinhos Premium carregam o sinal da distinção, pois tê-los em sua adega é só para quem pode.
Seu Bad Boy 2006 é quase 100 % Merlot de 3 diferentes propriedades: de Bordeaux, Fronsac and Pomerol. É um vinho menos potente do que os Chateau Valandraud, tem longa persistência e elegância. “Um vinho para agradar aos amantes do vinho tanto quanto, ou mais, do que os vinhos mais caros”, declarou Thunevin em seu blog. Por R$ 168 na Casa do Porto, concordo plenamente. Ainda mais acessíveis são o Presidial Thunevin (Le Coq) Branco e Tinto 2007 por R$79 e o tinto está em Recomendados de Vinho & Gastronomia.
Seu branco Blanc de Valandraud nº2 é meu sonho de degustação: Corte 50% Sémillon e Sauvignon Blanc, 8 a 9 meses de barrica, que não atropelam a fruta. Tem um aroma intenso, bela acidez e volume na boca. R$252.
Outro belo e acessível vinho é o Domaine Virginie Valandraud 2006, o meu preferido e não só porque custa R$ 110! Merlot 70%, Cabernet Franc 20% e Cabernet Sauvignon. Aroma intenso, complexo, austero, com taninos secantes, mas finos e agradáveis. Fantástico.
3 De Valandraud - St. Émilion Grand Cru 2006:é complexo e de grande persistência. O 3º vinho de Thunevin. R$290. Virginie De Valandraud - St. Émilion Grand Cru 2007: um belo vinho para quem ama (como eu) a Cabernet Franc (30%) e Merlot. Muito complexo, fruta bem madura, notas de café, algo picante. R$ 420. Valandraud 2003 é um corte com 2% de Malbec, 18% Cabernet Sauvignon, 20% Cabernet Franc e 60% Merlot. Aroma maduro, taninos finos, muito corpo e complexidade. Vinho para guarda e para quem pode. R$ 1.064.
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